o que vejo e sinto

agosto 03, 2008

Medos e Vida




Fotos Dione Veiga, 2008 - Exposição Casa Corpo Porto Alegre/RS

Viver implica em temer também, ao não termos estes temores nossa preservação é sucumbida, há que ter medos, para que possamos avaliar e contornar rumos da existência. Mas quando o medo é paralizante e que no deixa improdutivo nossa instinto de preservação também sucumbi e por fim morremos.
Traduzir este medo, por vezes é tão delicado e complexo que corremos o risco de subjetivar a ponto do medo ser apenas um " ponto" um pigmento. Mas a arte no salva.
A obra de Klinger Carvalho ( http://www.culturapara.art.br/artesplasticas/klingercarvalho/index.htm. ) Arquitetura do medo, também chamada de : Variação em Vermelho - O Viajante Percorre Territórios Incógnitos, vista na expo, Casa e Corpo em Porto Alegre RS, 2008, traz uma alegoria e um culto a este nosso imaginário e real sentimento: o medo. Todos os corpos ( em todas as culturas, ) que pulsa vida, percorre nele a mesma cor quente do sangue. Klinger, traz a cor e objetos ( muitos objetos, móveis, toalhas , barco, lampada etc.. ) arranjados de maneira que possam ser vistos, ou não vistos , sentidos ou não de acordo como me permito circular pela obra; a todo novo olhar um nova obra salta em nós. Alguns objetos se tornam invisíveis, passam a ser visiveis depois de rever e sentir. E outros permacem invisíves sem o registro consciente da existencia concreta. Os objetos incorporados a obra, me fazem pensar sobre os fragmentos imaginários da existencia e que desencadeia o medo. A luz, por sua vez pode ser redentora, salvar da escuridão e clarear, e desfazer os fantasmas que habitam em nós. Mas não ha luz sempre. Ha recantos escuros; onde a cor não existe. As grades, que envolvem a obra, sugerem quase um santuário, que protege e que isola estas cores, estes objetos, este corpo; Estas mesmas grades pontiagudas protegem mas podem ferir, e fazer brotar o vermelho do corpo que tentar invadir. Assim, me parece é o viver contemporâneo. Temos medos de quase tudo. Mas os medos mais terriveis são aqueles que habitam dentro de nós, são nossos imaginários que vagam, que podem ou não sair. A obra de Klinger, inevitavelmente instiga a um pensar sobre nossos medos; assim como levemente apimenta riscos erotizados da cor quente e objetos que podem existir em uma alcova assim como em uma cela de mosteiro. Ambos os lugares podem habitar gente, e onde há gente, existe medo, desejo, paixão e vida. A obra de Klinger, acima de tudo é uma apologia a vida com suas cores e temores.

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1 Comments:

  • Adoreii as imagens dessa exposição!
    O vermelho clama a vida; a chama, o sangue que corre nas nossas veias impulsionando uma existência... é o mesmo que amedronta, que escorre nas ruas, nos olhares inocentes, nas vidas desfeitas...A natureza criou as árvores, o homem fez delas paredes, flechas; a natureza nos deu a terra, o homem criou sapatos, meias e fez delas fronteiras... O homem divide até o que mal alcança e/ou compreende: o céu, as pessoas, as etnias, as religiões, as classes sociais... O homem fez dele mesmo seu próprio predador ao separar e dividir tudo que pela própria natureza têm seu mesmo valor!
    Fugimos uns dos outros... Como nos recompor???
    Um abraço! Adorei a matéria!

    By Blogger Patyça, at agosto 23, 2008  

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